24 de novembro de 2010

Comporte-se 24/Novembro

Lar, doce escritório
A reportagem de Jennifer Reingold para a revista Exame diz que funcionários virtuais hoje já são parte da mão-de-obra tradicional, mas trabalhar em casa acabou não sendo aquela panacéia que restauraria o equilíbrio da vida profissional, como muitos de nós imaginávamos. O trabalho a distância suscitou novos dilemas: o nível de ansiedade aumentou, o funcionário se sente cada vez menos capazes de fixar os limites apropriados ao expediente de trabalho.
            Segundo a reportagem a adaptação a este tipo de rotina de trabalho será mais fácil para quem é do tipo conciliador, isto é, os conciliadores são indivíduos que mantêm uma única agenda para assuntos profissionais e pessoais, e têm a mesa forrada de retratos da família.  Para quem é do tipo discriminatório, que preferem ser torturados a ter de revelar o nome do seu gato a um colega de trabalho, terá dificuldades para se adaptar com a telecomutação.
            A reportagem sita o livro da escritora Christena Nippert-Eng, Transition to Telecommuting (algo como Transição para a Telecomutação) onde faz algumas considerações sobre o futuro do local de trabalho virtual:
            O problema do limite
Nossa cultura, porém, continua bastante discriminatória. A maioria das pessoas que trabalham com este tipo de rotina afirma ser muito bom estar em casa, porque podem acompanhar mais de perto os filhos, mas não estão satisfeitas com o tipo de vida profissional que levam hoje do que o que tinham há cinco ou seis anos. As únicas pessoas que não têm problemas com "limites" entre a casa e o trabalho são as que não têm um lar, os não-casados e aqueles cujo cônjuge trabalha no mesmo tipo de ambiente.
Fontes de ansiedade
Quando você trabalha em casa, ninguém acredita que esteja labutando realmente. Você procura então provar que trabalha de verdade, assumindo posturas do tipo: "Responderei a todos os e-mails em, no máximo, 30 segundos, ou seja, é mais uma fonte de estresse. Outra fonte de ansiedade é o fato de que não há um modo pelo qual a chefia possa avaliar, de maneira imparcial, se você está ou não fazendo um bom trabalho. O dia acaba adquirindo um ritmo desvairado, cheio de insegurança e correria. O expediente não tem hora para começar nem para acabar, e todo dia é dia de trabalho. As férias se tornam coisa do passado.
Como melhorar a situação
Para o relacionamento da empresa com o funcionário virtual fluir adequadamente, é preciso que os supervisores criem um sistema flexível - levando em conta, é claro, que o expediente em casa precisa ter hora para terminar. É necessário também que as empresas analisem detalhadamente as normas e as expectativas que têm em relação a esse tipo de funcionário. Alguns supervisores encontram dificuldades para lidar com o tipo conciliador que trabalha em casa. Muitos gerentes ainda esperam um retorno imediato de seus subordinados. O ideal é que eles compreendam os limites que separam o trabalho a distância do trabalho na empresa, e de que forma avaliar os candidatos à promoção. Há uma última coisa que ambos os lados precisam compreender: tudo isso vai consumir um tempo que podia estar sendo canalizado para a realização do trabalho. Mas não dá para fugir disso, caso contrário, os problemas vão se tornar ainda maiores mais adiante.
Lidia Nogarotto

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